Corpo, Alma e Espírito, a tricotomia humana.

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O ser humano, imagem e semelhança do divino. Corpo- alma e espírito; ou ainda, Pai-filho e Espírito Santo.

Nosso corpo é local onde correm substâncias- substância- do latim sub – estare, aquilo que está embaixo, que nos dá base. Com corpo nos ligamos à força do Pai, ele é a natureza criada para nos dar vida. 

No século IV, o Concílio de Constantinopla trouxe a abolição da tricotomia corpo, alma e espírito e a Igreja reduziu a imagem primordial e instala-se o dualismo, uma dicotomia entre um corpo na Terra e nosso element espiritual como algo no “céu”, afastado de nós em outro mundo, sendo encontrado apenas após a morte.

Do século IV para o século XVI, saindo da Idade Média, quase na moderna, findando o período da autoridade eclesiástica, surgem pessoas que sugerem um novo caminho do conhecimento e fazem da natureza, objeto de estudo; começa a ciência natural, onde tudo precisa ser comprovado através de experiência. Do século XVIII em diante a teoria Darwinista, da evolução da espécie, sugere o homo Sapiens, uma concepção do homem a partir de um animal melhorado, o macaco. E assim, nossa porção espiritual sofre quase um descolamento da nossa porção espiritual e única, que nos torna seres humanos. E a medida que a ciência evolui e mecaniza, cria uma imagem de corpo como máquina engenhosa, dotada de um pensar. Podemos dizer que hoje, estamos a uma passo de dizer que corpo é como um objeto, e muitos lugares já o consideram.

A proposta da Antroposofia é instituir esta imagem do ser humano dotado de corpo, alma e espírito. O corpo, sendo aquilo que nos permite viver na Terra, por onde colhemos as impressões do mundo, através dos órgãos sensoriais. Através da alma, relacionamo-nos com este mundo externo captado e nos apropriamos dele, a partir de um significado próprio e assim, construímos um mundo interno. O espírito, torna aquilo que é fugaz em duradouro. Ao atuarem forças do espírito sob aquilo que capto, extraio um sentido mais profundo e não apenas aquele que depende da minha simpatia ou antipatia. O desafio da espiritualidade é aprender a se relacionar com o mundo, com aquilo que vem do externo, das relações, principalmente, e usar para iluminar nossa face interior; assim, somos conduzidos para uma visão além de nossas percepções do ego, captamos a essência, a beleza encoberta pelo véu da aparência. É neste momento que surgem os insights acerca do mundo.

Segundo a Dra. Ana Paula Cury, médica antroposófica, em seu curso sobre a sexualidade; pelo corpo fundamentamos nossa encarnação e nossa existência terrena. O fundamento paterno dos mundos é uma dádiva do princípio do Pai. Pelo Filho, através das nossas emoções, vivemos em relação com o outro, relacionamos corpo, o âmbito da matéria, com âmbito de espírito; relacionamos o dentro e o fora. A essência do aspecto do filho é a relação da vida neste constante devir, elaborar, transformar-se. O espírito, preenche-nos de sabedoria e pode nos desvendar – des- vendar– tirar-nos a venda, revelando a face interior de cada fenômeno e ser.  O espírito é o elemento capaz de nos conduzir ao fundamento oculto por detrás da aparência, podendo nos levar à essência.

Nos reconhecemos como seres não apenas dotados de corpo, mas de alma e espírito. E voltamos a Terra para “o Verbo se fazer carne, para que a carne volte a ser verbo”, voltamos para tomar consciência do Verbo, que efetivamente somos.

Nossa própria constituição física, nosso corpo, permitiu que tivéssemos na cabeça uma máquina capaz de pensar, mas realmente poderíamos nos assemelhar a simples  máquina se não houvesse uma elemento que a animasse – anima – nossa alma  que pulsa, alegra-se, sente prazer e desprazer, nossa alma sente a vida. Mas o sentir precisa ser constantemente lapidado e aprimorado, precisa ser conduzido para o caminho da sabedoria divina e este é o papel do nosso espírito. Nossa espiritualidade é se faz presente quando fazemos algo com amor e vontade, quando nosso verdadeiro querer atua em nós, nosso espírito se manifesta em nossas ações. E é a  partir das relações com as pessoas e com tudo que a vida física contém que podemos exercitar esta espiritualidade; para isso precisamos de um corpo  físico, que captura através dos órgãos dos sentidos, para que a alma atue e nosso cérebro consiga dar  sentido. Com isso, devolvemos ao mundo o que captamos, mas agora acrescido de algo que vive dentro de nós. Isso é relacionar-se.  Mas para que este conteúdo se transforme em ações corretas e impregnadas de amor, precisamos atuar a partir do nosso espírito; isso se dá quando conseguimos nos aproximar daquilo que vem do nosso coração e não pura e simplesmente da nossa mente. A espiritualidade acontece quando nosso agir, baseia-se em um pensar que se manifeste a partir do nosso verdadeiro sentir.

Camila Capel Bio

Camila Capel

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