O cuidado com o Welnness Stile

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Viver exige auto-observação constante, isso significa que dá trabalho. No âmbito mental possuímos mecanismos que nos levam a seguir caminhos automáticos, a mente tende a seguir a mesma rota. Já o corpo, é o nosso instrumento para orquestrar a cerimônia da vida, e ele sempre nos dá as melhores diretrizes. Quando aprendemos a cultivar uma relação íntima com ele, aprendemos a perceber seus sinais mais sutis e podemos gentilmente corrigir a rota, mudando pequenas coisas para levá-lo novamente ao equilíbrio.

Segundo Paramahansa Yogananda, guru indiano considerado um dos maiores emissários da filosofia indiana para o Ocidente, o corpo é um amigo traiçoeiro, não lhe dê nem de mais, nem de menos. O excesso ou escassez levam à polaridade e nossa função é sempre ajudá-lo a voltar ao centro. O bombardeio de informações que as redes sociais disseminam podem nos levar a severos desequilíbrios. Dicas de alimentação, aromaterapia, atividades físicas, Yoga, Ayurveda, meditação e todo tipo de wellness lifestyle possuem fundamentos, inclusive científicos, de seus benefícios. Inclusive hoje, a Lifestyle Medicine, desponta como medicina do futuro e Harvard investe pesado nessas áreas, trazendo o conceito de saúde através de um estilo de vida cultivado desde a infância. 

Mas todas as informações sobre saúde e bem-estar estão dentro de um contexto específico e compõem um estilo de vida que engloba equilíbrio  em todas as áreas e não apenas no corpo. Aliás, normalmente é isso que se admira em digital influencers, por exemplo; o estilo de vida que  mostram, torna-se uma representação de quem a pessoa é. Mas, normalmente, as pessoas que buscam informações, através das mídias, colhem em excesso; aprendem demais e de diferentes lugares, mas ao tentar aplicar em sua vida, frustram-se ou podem até causar danos à saúde. Seus corpos não estão preparados ou não precisam daquilo. Podem ser coisas boas, mas não para seu corpo.

 A disseminada água morna com limão em jejum é um exemplo; os benefícios existem, mas em certos organismos pode ter efeito inverso. Para a Medicina Tradicional Chinesa, se o indivíduo tem presença de friagem no estômago, gerada pela alta ingestão de alimentos frios, por exemplo, através uma dieta vegetariana, pouca carne e fritura, o limão atuará eliminando a turvacidade, (Esta palavra não existe. Seria turbidez?) gerada pelo frio. O azedo do limão tem função de contrair, é como que clarear. Se uma pessoa,) que tem alimentação equilibrada, ingerir um pote de sorvete o limão pode gerar alivio na eructação, melhorando a acidez e ajudando na digestão. Em outra situação, um indivíduo tenso, agitado, com uma gastrite, já possui calor interno em seu estômago e o limão terá efeito contra o organismo. Por exemplo, um final de semana comendo coxinha, churrasco ou feijoada, bebendo álcool e acordando tarde e na segunda-feira despertar com a barriga estufada, dor de estômago, língua com saburra gordurosa, a ingestão de água com limão pode gerar dor, porque o calor explode.

Um exemplo bem comum também tem seu efeito adverso em alguns casos, o chá de gengibre. Quando ingerido após tomar friagem é bom, porque gera sudorese. Insistir nele depois pode aumentar energia yang do organismo e consumir nossa vitalidade, nosso Jing, derrubando nossa resistência. Aqui, o simples resfriado pode evoluir para um quadro gripal mais complexo. O excesso de calor do gengibre altera a energia do fígado e este calor começa a ascender para a região do pulmão, podendo gerar sintomas de sinusite, rinite ou dor de garganta.

A cúrcuma é um outro exemplo. É um alimento que tem característica quente e seca para a medicina Ayurvedica, ou seja, o excesso também sobrecarrega o fígado. A cúrcuma teria a mesma característica da cachaça, quente e seca. Quando seu uso é feito em comidas, em que há a com alimentos gordurosos ou, por exemplo, na união  de bebidas à base de leite, ghee, a combinação dela a estes alimentos, frios e untuosos, neutralizam seus efeitos quentes e secos, gerando equilíbrio. Aqui, podemos começar a avaliar se realmente o famoso shot diário, em jejum, à base de cúrcuma, pimenta e gengibre e outras especiarias são mesmo tão benéficos para nosso próprio corpo.  Claro que todas os alimentos possuem benefícios, como também o excesso, de qualquer coisa, é altamente prejudicial. Afinal, a diferença entre remédio e veneno está na dose. Até mesmo uma simples alface pode gerar comportamentos depressivos, quando em excesso. Ou o café, pois, segundo o departamento de comidas e drogas americano, o FDA (Food and Drugs Administration), uma colher de chá da substância cafeína pura em pós, equivale a 28 xícaras de café. Dependendo da idade, peso e alimentação de cada indivíduo, a cafeína pode gerar toxidade, alterações cardíacas, respiratórias, gástricas e até overdose.

Cada conhecimento pode trazer uma sabedoria milenar, como a Medicina Ayuvedica ou a Medicina Tradicional Chinesa; ou traz um alto investimento em pesquisas e estudo, como na medicina Integrativa ou Medicina do Estilo de Vida. Mas temos que aprender a valorizar nossa própria sabedoria e nosso corpo é o único meio de acessá-la. Temos que aprender o cultivo ao corpo no sentido mais genuíno, não pela estética efêmera, mas como meio de acessar nossa consciência. Cada órgão do corpo possui uma consciência e, ao estimulá-los ou sedá-los, ela é ativada. O que ingerimos altera nossa fisiologia. A ingestão dos alimentos traz informação do mundo externo para o nosso interior e temos que digeri-lo, a saúde reside na boa ou má digestão do que consumimos. Ou seja, você não é o que você come, você é o que você digere. Algumas tradições antigas defendiam que não existia boa ou má alimentação, acreditavam que deveríamos poder comer tudo e que nosso corpo deveria ter a capacidade de digerir. A saúde não acontece pelo que comemos, e sim pela capacidade de digestão. 

Isso seria o mesmo que dizer que a saúde é algo que está disponível e não precisaríamos correr atrás dela. Realmente, em condições normais, ela trabalha a nosso favor, o problema é que saúde é uma tríade, que envolve alimentação, respiração e conexões cerebrais. A alimentação é equilibrada pela nossa digestão; a respiração, pelo ar puro e práticas respiratórias; as conexões cerebrais, através de novos estímulos ou práticas que têm o poder de alterar nosso estado mental. Assim, mensagens são enviadas para o corpo se orquestrar harmonicamente através da fisiologia e bioquímica. Quando nossa respiração altera, nossa fisiologia muda e a percepção da realidade captada pelos nossos órgãos sensoriais também mudam; quando nos alimentamos com determinados alimentos, nossa consciência e pensamentos alteram-se e nossa fisiologia também é impactada e quando criamos conexões cerebrais novas, nossa consciência alterada nos faz ter escolhas diferentes e também invade o corpo com uma nova bioquímica. Buscar transitar nestes universos de forma equilibrada é a verdadeira saúde integral holística.

Camila Capel Bio

Camila Capel

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