O que é preciso para educar?

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Para educar é essencial que possamos contar com algo que não possuímos inteiramente: liberdade e amor por ensinar

O amor relacionado à educação passa pela doação completa, sem que o objetivo final seja colher resultados em benefício próprio. Essa devoção deve ter como fim ajudar um semelhante e apoiá-lo na transformação para um ser que atuará na sociedade de forma íntegra e consciente.

Ao nos preocuparmos com exemplos morais, éticos e de fé, somos tomados por anseios, culpas e medo de não dar conta de ensinar tudo que julgamos necessário. É justamente esta “carga” que torna o exercício da parentalidade um fardo e que nos coloca frente à ideia de que, se nossos filhos não correspondem às expectativas do mundo, nós não fomos bons o bastante com eles.

Estes são os momentos de maior dificuldade em relação à parentalidade, pois sabemos o que carregamos de melhor em nosso coração, mas nossos filhos parecem não absorver como idealizamos. Nesta hora, é comum que nossas melhores qualidades se tornem nossos piores defeitos, pois sentimentos ruins, como a raiva e a frustração, emergem e tornam nossas relações um ambiente conturbado. 

E quem quer olhar para isso? Ninguém! É por essa razão que, ao não querer olhar para essa “bagunça emocional”, nos afastamos do conflito. Mas já parou para pensar que, na verdade, deveria ser exatamente o oposto? Pois é nesta hora que a oportunidade de aprendizado – para ambos – fica mais evidente. É neste antagonismo de sentimentos que encaramos o maior exercício de fidelidade.

Para educar seres humanos livres e conscientes de seu papel na sociedade, precisamos começar exatamente lidando com essas feridas da nossa própria infância, que voltam a sangrar quando somos atingidos pela sensação de impotência diante de situações em que nos sentimos falhos como pais.

O que aprendemos no exercício da parentalidade é que toda educação passa pela autoeducação. Afinal, os filhos provocam o encontro com as chaves para um desenvolvimento mútuo, em que os pais ajudam aquele ser a se desenvolver à medida que encontram em si arestas que precisam ser aparadas. É neste exercício que nos tornamos livres para educar os filhos a partir de um lugar mais leve e ancorado no presente e não mais presos às cobranças de nossa própria infância.

Quando nos sentimos livres, confiamos que os exemplos de virtudes e valores morais e éticos começam de forma muito mais simples do que supúnhamos. E, a partir daí, nos livramos das expectativas que geram tanta angústia e frustração. Com isso, percebemos que damos conta de educar nossos filhos e que possuímos exatamente aquilo que eles vieram buscar em nós quando nos elegeram como pais.

A formação para a cidadania começa quando a criança ainda nem sabe falar, mas pode sentir o que vibra no coração de seus pais diante das  pessoas  comuns que passam em suas vidas. Como olhamos para as pessoas quando não estamos diante de nossos filhos? Do porteiro do prédio que, diariamente, nos acena com um bom dia, passando pelo idoso lento no caixa do supermercado, ao morador de rua que todos os dias nos pede dinheiro no mesmo semáforo.

As crianças percebem o respeito e o cuidado nas relações com familiares e professores, que as acolhem diariamente. O cotidiano está repleto de oportunidades para nos tornarmos exemplos de empatia, respeito, valorização, humildade, integridade, em resumo, de humanidade. 

 

Se este tema fez sentido na sua vida, convido você a baixar gratuitamente o material e se aprofundar um pouco mais no journal parental. Preparei um material ampliado para ajudá-lo neste processo de autoeducação.

Não precisamos de discursos eloquentes, pois no primeiro setênio a criança aprende pela ação e são os gestos humanos de bondade que a ajudarão nessa construção. Isso significa que ela aprende ao observar a ação do adulto e pouco capta das palavras. No entanto, ela possui um sentido divino capaz de ler nossos corações.

 

“Não há, basicamente, em nenhum nível, uma educação que não seja a autoeducação […] Toda educação é autoeducação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o ambiente da criança educando-se em si própria. Devemos criar o mais propício ambiente para que a criança se eduque junto a nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino interior”

Rudolf Steiner

Camila Capel Bio

Camila Capel

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