Vivendo em coerência com o coração

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Camila Capel Background-autora

Quando trabalhamos nossa mente,  neurotransmissores e modulações de padrões de ondas cerebrais, ajustam- se  e com isso, ganhamos capacidade de adaptabilidade, resiliência, ficamos mais flexíveis, somos capazes de suportar mais, não por gostarmos de sofrer, mas por um entendimento de que certos problemas ainda precisam ser mais aprofundados para se chegar à essência. Ganhamos a consciência de que faltam recursos, mas  vamos em busca deles, ficamos comprometidos com nós mesmos e simplesmente confiamos.

Comecei a trabalhar a mente através da coerência cardíaca, que  chegou a mim através de Anne Kauffamm. Com  ela, aprendi sobre manejo de situações de estresse, encontrando um oásis interno, um espaço de calmaria em meio a tempestades emocionais. A coerência traz um estado de equilíbrio no indivíduo e altera o campo eletromagnético da pessoa que pratica, como do ambiente em que ela está. Em situações de conflito, onde não sabemos como agir, experimentar a coerência por alguns segundos, modifica as percepções de realidade.

O coração, o orgão imperador, segundo a Medicina Tradicional Chinesa, está diretamente ligado ao cérebro. Coração em harmonia, envia mensagens para que cérebro também passe a trabalhar de modo harmônico.  O coração em harmonia tem efeitos sob a hipófise, na liberação hormonal, nossa flora intestinal também se torna mais saudável porque o cérebro, sob efeitos das emoções altera as secreções gástricas e produção da Serotonina, hoje sabe-se que o intestino  é responsável de secreção de mais de 80% deste neurotransmissor. 

A ação da coerência se dá em toda regulação e equilíbrio do sistema nervoso autônomo, onde os sistemas simpático e parassimpático fazem parte.

Estes sistemas funcionam independente da nossa vontade e sua função é regular os sistemas digestório, cardiovascular, excretor e endócrino. São responsáveis pelo controle de órgãos internos, como intestino, bem como a modulação do ritmo cardíaco, respiratório, órgãos que funcionam de forma involuntária. Por exemplo, após o jantar eu não informei ao estômago o quanto deve produzir de suco gástrico, isso é automaticamente calculado e, no dia seguinte, o alimento está digerido. Esse sistema funciona sob a influência da atividade consciente do Sistema Nervoso Central (SNC), do qual o sistema nervoso autônomo (SNA) faz parte. O sistema autônomo simpático responde a situações de estresse e alerta, ou seja, situações que requerem respostas rápidas, este sistema de alerta tem o maior gasto de energia. De modo geral, ele estimula ações que mobilizam energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse; as fibras pós ganglionares deste sistema secretam principalmente noradrenalina, razão pela qual a maioria é chamada neurônios adrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o SNC à glândula supra renal, promovendo aumento da secreção de adrenalina, hormônio que produz resposta “luta ou fuga”.

Já o hormônio secretado pelos neurônios pós ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina, razão por serem chamados colinérgicos. O sistema autônomo parassimpático normaliza o funcionamento dos órgãos internos quando acaba a situação de alerta; portanto, este sistema dirige situações de rotina do indivíduo. A Acetilcolina e noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir outros, ou seja, eles coordenam ações antagônicas; em geral, os órgãos em que o simpático é estimulador, o parassimpático tem ação inibidora, e vice –versa. Entretanto, a ação dessas duas divisões não se dá apenas em situações de alerta e relaxamento. Alguns órgãos recebem o estímulo de ambos ao mesmo tempo, como coração, produzindo resposta intermediária. Ou seja, este sistema regula a homeostase, equilibrando o organismo. Este sistema de respostas autônomo é o mesmo acionado quando recebemos qualquer estímulo sensorial captado pelos nossos órgãos dos sentidos, ele é ativado muito mais rápido do que nossa capacidade de raciocinar, informando nossos órgãos nosso estado emocional, antes mesmo da nossa tomada de consciência. Sobre esta resposta automática do nosso organismo, resta-nos pouca escolha, pois independe de nosso raciocínio lógico e da nossa atividade mental. Mas práticas  como coerência cardíaca, meditação, Yoga, Chi Kung, Tai Ji, dentre tantas outras, têm a capacidade de nos tiram do mental, ou seja, do plano dos pensamentos e nos levar ao mesmo nível em que o sistema nervoso autônomo atua, no plano das sensações.

Com o estado geral da saúde mais harmônico sentimos disposição, bem-estar e vitalidade. Inundados pela serotonina, dopamina, ocitocina, passamos a construir uma realidade diferente; isso nos dá a capacidade de vermos as mesmas coisas sob outros pontos de vista. Nosso externo pode continuar apresentando os mesmo problemas, mas nossas lentes agora ganham novas cores. Também, as situações de oportunidade começam a ficar visíveis, porque talvez nossas lentes estivessem muito embaçadas para enxergar.

Viver neste estado promove bom humor, um estado confiante e, consequentemente,  passamos a apreciar e contemplar a vida, o que retroalimenta a gratidão e sensação de plenitude, que reativa o estado de coerência. Ou seja, o indivíduo entra em um ciclo virtuoso. Como Anne diz, parece que nos elevamos em um pequeno degrau diante de nossa vida, os problemas ficam do seu tamanho, vemos dentro de sua real proporção. 

Esta dissociação entre o problema e nós,  também abre um espaço para ressignificação de situações que julgamos difíceis, contemplar os prós e contras. Quem dá este espaço consegue distinguir as emoções dos próprios  pensamentos, dos diálogos interiores tóxicos que criamos. Podemos nos tornar donos de nós mesmos, e não escravos. Ganhamos a confiança de  que seremos guiados pela nossa mente a partir  de um estado de coerência, que parte do  nosso coração.  É  como sentir a verdadeira sensação de empoderamento sobre si mesmo, isso é a consciência.

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Camila Capel

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