Sobre Camila Capel

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“Extrair o essencial e inspirar um estilo de vida com a presença real.
Pensar e agir em coerência com o sentir, utilizando a meditação e as relações humanas como recursos de autodesenvolvimento. ” 

Desde criança queria saber para onde iríamos após a morte e como seria nosso Universo quando chegasse lá? Eu queria entender tudo isso antes de morrer. E, sinceramente, acho que foi assim que comecei minha busca sobre o que é este algo maior.

Que força é essa, capaz de fazer com que as plantas cresçam, a água brote do solo, de provocar terremotos, tsunamis e ventos solares que proporcionam uma dança luminosa verde no céu? Que inteligência é esta que guia os pássaros em seu voo perfeito e que faz nascer um novo ser a partir do encontro de duas almas?

Nesta busca, contei com mestres diante dos quais me curvo em reverência: minha mãe me ensinando sobre as coisas do céu; meu pai sobre as coisas da Terra; e ambos me dando liberdade para escolher como transitar entre esses dois mundos. O que sou hoje devo a tudo o que me deram, mas também pelo que não puderam me dar, pois isso me tornou mais forte. 

A maternidade tornou minha busca mais intensa e sua impermanência me obrigou a desapegar de expectativas e de tudo que julgo saber. Diariamente, sou chamada a me autoeducar e iluminar sombras às quais nem sabia possuir. No desafio da parentalidade, descubro o meu pior e aprendo a transformá-lo no meu melhor. Certamente, depois de ganhar a chance da vida por meio dos meus pais, a maternidade foi meu segundo maior presente, resultado do encontro com meu companheiro de quase metade da minha vida. Esta jornada é um caminho iniciático que me leva ao encontro com  o essencial.

O pensar trouxe significados profundos para o meu sentir, mas foi o agir que trouxe o verdadeiro propósito. Minha ação no mundo começa colocando minhas ideias para além do meu pequeno universo. Para isso, escolhi a escrita, minha paixão desde o dia em que descobri que as palavras eram capazes de tocar as pessoas em algum lugar profundo. Elas fluíam facilmente através de mim diante de um papel em branco e com uma intenção no coração. Assim, comecei escrevendo cartinhas para amigas, diários de adolescente, depois sobre a maternidade, sobre meu dia a dia, sempre tentando encontrar sentido na vida. 

Quando escrevo, sigo apenas o insight e a partir dele não sou mais eu quem escreve. Minhas mãos simplesmente se tornam extensão do meu sentir e se colocam a serviço de sua expressão. De vez em quando releio o que faço, mas normalmente quero modificar. Mas aí percebo que minhas mãos já não escrevem mais a partir do coração e sim, a partir da mente, e esta, às vezes “mente”. 

Por essa razão, ultimamente estou preferindo não reler os textos, pois descobri que aquela que escreveu já não está mais lá, ela é apenas uma das muitas Camilas que existem no vasto Universo presente em mim. Pouco importa de onde ela surgiu e para onde ela vai… quem escreve sou eu vivendo e sentindo a vida, expressando aquela que quer se mostrar naquele instante e que está sempre se metamorfoseando. 

Portanto, cada escrita é como uma arte acabada. Chega um ponto onde não cabem mais retoques. Podemos simplesmente amar quando nos toca e odiar quando nos toca ainda mais. Escrevo não com a mente, mas com meu coração. É assim que consigo expressar o que vive em minha alma. Esta sou eu, expressando minha arte para quem souber apreciar e também odiar. 

Obviamente, nunca me sentirei totalmente pronta e não saberei todas as verdades, mas posso falar daquelas que vivem em mim. Afinal, é apenas no verbo, na ação e na nossa expressão no mundo que movimentamos o Universo e podemos aprender ainda mais sobre ele. Por isso, me coloquei pra valer na vida e este espaço será minha “página em branco” onde me experimentarei nas muitas versões de mim mesma. Creio que finalmente entendi que precisava morrer antes de morrer para, então, começar a viver.

Quem se sente tocado pela vida e enxerga beleza também nas mortes faz parte dessa minha pesquisa sobre a qualidade do que nos torna humanos.

 

Camila Capel Bio

Camila Capel

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